sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Pisciano Sem Par (de Marcos Salvatore)

Duane Michals


Puxou a pequena pelo braço e foi aconselhando, meio puto da vida:
- Vai lá atrás e enfia o dedo na garganta.
Ela se levantou, fez que ia mas não foi, deu meia volta e foi engraçado ver aquela coisinha fofa, totalmente de porre, tropeçando em cadeiras, derrubando copos e por fim, vomitando em cima do taxista baixinho e careca que estava amarrando o cadarço do sapato.
- Leva essa puta daqui, senão ela vai fazer mais estragos, disse o garçom, já pronto pra sentar a mão.
Foi então que, no meio de toda a cornada, a Mudinha apareceu. Era incrível a sua semelhança com aquela bonequinha que fazia uma cowboyzinha no Toy Story 2. (Que barato!)
- "Vê a saidera aí o Seu Menino!" (A gente sempre começava o porre pela última).
Se sentou com umas outras donzelitas que estavam "esperando carona". De vez em quando olhava pra mim, ria e fazia uns gestos carinhosos, meio grosseiros, mas que indicavam foda à vista.
- Essa daí tá procurando, daqui a pouco vai estar no ponto do abate.
- Abacate?
- Abate porra!!
- Tô bêbado, não consigo nem lembrar onde é que fica a boceta, se eu comer essa zinha , vou acabar gozando na orelha, com um terra pelo nariz.
Esqueci de dizer que nós éramos três: O Manél, a Dayse, que era sapatão na época e hoje em dia é casada e eu. (Adinvinha quem comia mais mulher? A Dayse, é evidente!)
Por sorte, a gente ultimamente só bebia junto; no Bar da Praça, que era, acima de tudo, feito sob medida pra três vagabundos fedorentos e mal empregados como nós. Lá tinha de tudo: puta, gringa, porrada e cerveja bem gelada.
Na mesa ao lado uma gringa dizia pra um coroa: "Vai tomar na cú!"
A Dayse: " pra mim já deu, vou trabalhar amanhã, tô fudida, já são mais de três".
O Manél: "então é, também fui".
- Eu fico. Essa mudinha vai aprender a falar o meu nome ainda hoje.
O Manél, sendo o mais velho na patifaria, tinha sempre a mania de querer tomar conta. Disse logo: "Vai pra casa, que é mais negócio. Essa mudinha tem cara de casinha".
- Que o quê? Não esquenta que o pior que pode acontecer é eu broxar de tão porre. Não tô nem lá!
E assim eles se foram, antes rachamos a conta e me sobrou ainda sete contos.
Depois que eu fiquei só, chamei a mudinha e dando uns peguinhas descobri que ela não era tão mudinha assim, ela ainda falava "hâ"!
- Hâ. Hâ.
Só.
Cara, toda vez que ela dizia "Hâ", o meu pau latejava.
A gente desceu a Carlos Gomes, depois dobramos em direção ao bairro do Comércio, velho de guerra. E foi perto do Buraco da Palmeira que ela parou e me disse, ou por outra, não me disse nada, ela era muda, porra. Só me olhou daquele jeito e apontou pra um prédio meio velho, visivelmente de kit nets pra alugar por noite.
Preciso agora fazer um parêntese (não sei que pontuação usar agora).
Quando eu entrei e ví aquela escada, não sei o porquê, mas olhei pra trás e ví a placa da rua Padre Prudêncio. "Prudêncio", cara. De "prudência", sacou? Olhei um pouco mais e vi no alto a silhueta do Peixotão, prédio onde eu morava na época.
Não sou nem um pouco supersticioso, mas sentí um negócio meio esquisito quando entrei no quartinho imundo da Muda e ví a irmã dela dormindo num colchão imundo, perto de um banheiro sem porta, provavelmente mais imundo ainda.
Não sei se vocês perceberam, mas àquela altura do campeonato o porre já tinha ido pro espaço e a mudinha era realmente um "negocinho".
- Hâ, Hâ.
- Que foi? Quer me dizer alguma coisa? (Ô animal!!)
Ela passava a mão na barriga e fazia carinha de choro, de meio triste. Devia ser fome. Metí a mão no bolso e encontrei os sete mangos. Dei pra ela.
- Ó! Vai e traz um pra mim também, com muita cebola, hein?
Gesticulei a coisa de uma forma que me entedesse. Ela me deu mais um beijo depois saiu, feliz da vida.
Quando a porta (que não tinha chave) se fechou e eu me sentei na cama pra tirar o tênis a irmã acordou. Levantou com a maior naturalidade, me olhou como se notasse a presença de um verme, se virou e entrou no banheiro. Deu uma senhora mijada, bem na minha frente.
Depois de passar uma água de bacia na xana, se posicionou na minha frente, totalmente nua, e disse uma coisa que eu nunca mais ia esquecer: "Hã!"


Do térreo até o vigésimo andar. Meu pau esfolado, ainda melado. Pernas em frangalhos. Deitado no chão daquele elevador, olhando ofegante para um pequeno ventilador de teto e sentindo um movimento peculiar no estômago, uma náusea com ritmo.
Depois de cada andar, tive a certeza de que a vida estava errada, não só a minha, mas a de todos. Antes pude sentir fisicamente, enquanto corria pra me safar de uma surra estilo Idade Média, que quando a covardia nos falha e a coragem não diz uma palavra, só o que resta é o instinto; a vontade do instinto. Quase me esquecia disso: ninguém me pegou! O Peixotão é, de longe, o melhor lugar desta cidade.
Décimo primeiro, décimo segundo... E eu deitado lá, contemplando um chiclete pisado, parecido comigo.
No décimo terceiro morava uma figura disfônica, que gostava de apanhar garotões no cais do porto; coroa jeitosa, uma delícia de voz, de uma rouquidão sexual de Elvira Pagã, funcionária do Tribunal de Contas de dia e professora de direito à noite. Gostava de beber vinho barato, mas sempre tinha em casa um daqueles mini bares com bebidas que “matariam o guarda”. De vez em quando me chamava pra beber e eu sempre a tratava como uma dama (pode crer). Adorava o jeito como ela misturava gírias antigas com novas e as tornava tão delicadas quanto uma gota de sêmen na boca da mulher amada. Eu a amava, mas já estava passado. Trinta e poucos, e uma barriga saliente que já não me deixava mais calçar os sapatos sem suar um pouco.
- Por que me chama pra beber, se nunca me convida pra ficar?
- Sua voz me tranqüiliza. Você devia ser locutor, trabalhar com rádio, num desses programas de astrologia que ajudam as pessoas e encontrar o seu par. Que tal?
- Nunca me liguei muito nessa história de signos. Acho meio injusto você procurar por uma combinação. Por aí vai ter sempre alguém, sei lá, é o que eu penso.
- Eu sou de Escorpião, e quer saber? Tenho certeza que você é de Peixes, querido.
- Por que a certeza? Vá você então, descolar um troco como cartomante.
- Sua voz me tranqüiliza. Mesmo falando tão pouco, por isso eu falo demais. Desculpe, meu bem.
- Sempre te vejo chegar com esses panacas em casa. Eles não te tranqüilizam também?
- Só quando não dizem nada. Detesto foder com caras que me pedem, com os que mandam idem. Homens não sabem pedir, nem mandar. Se ficassem calados e apenas ouvissem, as mulheres não precisariam mais trepar por dinheiro, nem oportunidades.
Adorava ouvir ela falar. Ficava horas demorando meu primeiro copo. Quando ele finalmente acabava, ela sempre me mandava embora. Não sei o porquê, mas sempre ouvíamos o mesmo disco, uma, duas, três vezes. Sempre numa vitrola Philco, velha pra burro: Pássaros na Garganta, da Tetê Espíndola. Ela dizia que um dia não precisaria mais dele.
Foi nela em quem eu pensei quando enfiei meu pau até o talo no cuzinho da irmã muda da Mudinha. Meu Pau: meu forcado, minha espada, minha foice. De vez em quando a gente nota que tem um e pra quê ele serve.
Morena, cabelos escuros, provavelmente pintados com tinta de cabelo reciclada, seu cheiro tinha o cheiro que aparentava ter. Parecida com a Letícia Sabatella, do “Hoje é dia de Maria”, tinha os olhos dela, a boca dela. Peitinhos de pomba, também uma leve sombra rosada ao redor dos mamilos de uma cor única de lilás. E ela não gemia, apenas sussurrava: hum... hum... hum... Nunca soquei tanto o meu pau numa mulher. Acho que o fato dela ser muda era um afrodisíaco natural.
Não pensava em mim, nem nela, pensava na professora de direito que jamais me daria aquilo, que nunca me pediria pra tomar mais de um copo de vinho barato, nem me pediria pra ficar um pouco mais. Se ao menos ela fosse crente, teria a desculpa de me converter.
Passamos o que? Uma meia hora trepando. Mas tive a impressão de ter passado boa parte da melhor parte da vida naquele quarto nojento. Nem liguei quando senti cheiro de merda e, no escuro, tirei da cabeça do pau o que eu pensei ter sido um bago de feijão. Minha missão era fazer aquela fêmea dizer algo, qualquer coisa.
Coloquei-a de lado e, sem tirar do seu rabinho, enfiei uns três dedos até o fundo da boceta. E: hum... hum...
Mordia o biquinho de um seio quando ela agarrou minha mão, apertou bem forte e disse: Ahhh....
Amei minha vizinha mais do que nunca. Amei todas das mulheres que nunca me dariam bola. Amei até mesmo as mulheres que já não amava mais.
Que foda, bicho! Essa moleca e eu fizemos muita sacanagem. De tudo!
Sentei num canto da cama de comecei a me vestir, quando faltava só a camisa, notei que ela voltava a me olhar como um verme, levantei meio sem noção:
- Pois é... então... você é boa mesmo, hein, Baby? Talvez a gente, né? Qualquer dia desses, ou noite. Ou noite, é.
Tão imbecil que eu gesticulava sem parar. Ela só me olhava com uma cara que puta merda!
Levantou se, encostou na porta, enrolada num lençol, obstruindo a saída.
- E a tua irmã? Ela é tua irmã? Você bem que se parecem, assim, de corpo, entende? Cadê?
Com a mão esquerda ela fez a figura de uma concha que se abria no ar e voava como um pássaro. Ou seja a irmã dela tinha se mandado com os meus sete contos. Ainda bem que eu morava perto dali.
Cara, não tem palavra que explique o que rolou depois. Com a mão direita ela me apontou três dedos. Três. Ou seja:
- Trinta?
- Hã!! Hã!!! Hã!!!!
- Tá doida caralho? Tá de porre? Não me viu dando a grana pra’quela zinha? Tô duro, porra!
Balançou a cabeça negativamente, levantou os ombros, colocou as mãos nos quadris: “Hã?”
Dei risada: “É isso mesmo. Tá pensando o quê?”
Avançou pra cima, mas eu me saí, empurrando a morena pra cima da cama. Corri desembestado, sem tirar da cabeça o gemido fundo que ela deu antes de gozar. Quando cheguei na escada desci como se nem existissem degraus. “Que barato”, pensei na minha vizinha.
Lá embaixo, ouvi um grito vindo do alto, e chamando a atenção de todos que estavam perto do Buraco da Palmeira, parecido com um que eu reconhecera quando era moleque, o de um primo que tinha prendido o pinto no zíper da calça: “AAAHHHHHH!!!! UAHHHH!!!!!!”.
É claro, era a Letícia Sabatella.


“- EU NÃO TE AMO MAIS!!!!!”, gritava a coroa do karaokê, enquanto tentava cantar “Sozinho”, do Peninha. Ela cambaleava, ela gaguejava, encharcada de cerveja, ela cheirava a várias amostras de perfumes diferentes. Finalmente desistiu. Esperou pela nota: 50. Tive a impressão de que aquela Dona tinha um canto da boca maior do que o outro, coordenado com pulseiras, braceletes, brincos, anéis, etc, etc. Uma amiga ao lado, segurava, ouvia, aconselhava.

Já repararam como tem sempre um Sóbrio perto de um Porre? Resguardando, assegurando. É claro que não falo de todos os Porres; falo dos Malas, que só saem quando estão “de bode”, à fim de “trincar a pêra” e te fazer passar vergonha na frente de todo mundo.
Tenho vários amigos assim. Caras que só me reconhecem quando estão à fim de aprontar. É interessante observar como nossos melhores amigos – ou aqueles que consideramos como “melhores”, sempre se divertem com os outros; conosco, não.
Noite adentro você tem que ser duas coisas, cara, e somente duas: engraçado e perspicaz. Taí uma combinação quase impossível de se encontrar. Difícil alguém ter essas duas qualidades, depois de não sei quantos copos. Pega mal sofrer numa mesa ou num balcão, bicho. Deixa pra lá.
Mas o que eu queria mesmo dizer é que fazemos amigos para nos proteger. Não sei se falo claro, mas as grandes cagadas geralmente acontecem quando não damos ouvidos a quem se importa conosco. Eu devia ter ouvido o Manél e a Dayse: “Vai pra casa, rapaz.”
Foi assim mesmo. Em nome do Pai, do Filho e do Espírito de porco, eu corria velho! Corria pra não apanhar de mais ou menos uns sete camaradas e uma mudinha filha da puta que me metera naquela zebra toda.
Engraçado que enquanto corria, simplesmente não perdia nenhum detalhe da lembrança das coxas de Letícia roçando em minhas pernas, enquanto eu enfiava e puxava, enfiava e puxava.
Um dos caras gritou quando ouviu os gritos dela: “Não corre, otário”.
Será que eu pensei em não correr? Não realmente. Minhas pernas se arrancaram antes mesmo de eu cogitar a possibilidade. E sebo nas canelas.
- Pega a outra rua e cerca, cerca!
- Hã, uaaahhhhh, uaããããuuuuuu, iiiihhhhhhhaaahahahahahh!
- Peraí Bacana, que eu só quero te matar!
Puta que o pariu!
O Peixotão crescia numa sombra da noite e uma dúvida pior do que a surra imprevisível me atrapalhava: o portão.
Quando eu era moleque, toda vez que a gente apanhava da Vó, por causa de alguma que a aprontava, minha tia gritava lá de dentro, eufórica: “Ô coisa boa, Ô coisa boa”. E o cinto comia.
Uma esquina, outra esquina, buracos, tropeço mas não caio, por pouco.
Dobro a Carlos Gomes e ouço... um piano, uma sonata do Ludwig Van; aquela, número 29 em si. Altamente chapante.
Como é possível se correr o mais depressa possível e ainda assim ouvir alguém dentro de casa, àquela hora, quase amanhecendo, tocando piano?
Gosto de pensar que foi uma alucinação auditiva ou qualquer coisa do tipo. Meu coração se aquietou e eu não sentia mais medo enquanto corria. Só conseguia imaginar que a vida poderia ser bonita o suficiente para alguém que ouve piano enquanto todos dormem.
Eu corria em si menor, mas minha cabeça dava arrancos em quinta.
É foda! Mas também pensava em minha vizinha e se tinha alguém com ela. “Se eu conseguir voltar, digo a ela que já entendo os “pássaros na garganta”, já sei por que ela só me dá uma taça de vinho depois me manda embora, sei até porque alguém ouve música clássica às cinco da manhã de uma noite perdida”, eu pensei. Por que é o que se leva da vida. E que todos nós temos sempre uns dois ou três demônios para exorcizar. Estamos vivos com os leões.
A noite é uma criança e nós os assassinos, estupradores, molestadores. Pisamos em brinquedos ao caminhar no escuro, nos encontrando em bares; personagens que somem sem deixar vestígios, cada qual com uma verdade. Procuramos por algo que se perde mais e mais, a cada nova procura.
O portão do Peixotão.
- Seu Osias! Seu Osias! Corre, Velho!!
- Que foi? (estava dormindo, como sempre... e porre... Como sempre)
- Abre logo o portão senão vão me dar um samba bem na sua frente.
- Peraí que eu já abro, é bem aqui, deixa eu ver...
Apertou o botão que abria aquela merda, mas aquela porra se abria lentamente, muito lentamente.
Olhei pra trás e vi minha vida passar como um trailler de filme pornô dos anos 70 “Color by Deluxe” enquanto os caras (e a muda) dobravam a Frutuoso, olhavam de um lado para o outro e me avistavam enfiando a mão pela primeira fresta de abertura do portão.
Não pensei no futuro, no passado, tampouco no presente.
- Ele ta ali, ó! Não deixa ele entrar, pega pelos pés!
O portão dava meia volta, mas não tive forças para entrar. Desmaiei entre o lado de fora e o de dentro. Terminava ali a minha maratona da morte.
O tempo parou. Apagado eu sonhei com uma coroa que me chupava e perguntava entre uma lambida e outra, indiferente:
- Amor, você me dá nota 10,0?
- Não. Vamos fechar num 8,5. Agora, abaixa um pouco mais o decote. Eu quero ver os biquinhos, Baby. Isso, esfrega, esfrega.
- Ai Amor, você é mal pra mim.
- Ok. Enfia as bolas na boca, olhando pra mim. Isso, faz carinha de má, carinha de “Xuxa contra o baixo astral”.
- Você já disse “eu te amo” pra alguém? Já? Minha Vó quer que eu tire nota 10,0.
- De vez em quando é preciso. Questão de diplomacia pseudo-anal-vaginal: a mulher ouve o que quer e acaba dando no que não quer (Puxo seus cabelos, soco sua cabeça contra minha virilha com força). Acho que um 9,0 bem ejaculado já resolve o teu problema.
- Você me consegue um estágio remunerado? Hein, Bem?
- Claro, Baby, seus boquetes são sensacionais. Vão ser um sucesso, nas melhores rodas executivas do Estado. Não tem pra ninguém. Agora espanhola, espanhola. Uuuhhhh! Você é genial. Se existisse um Prêmio Periguete Esperança, você já seria a maioral.
- Nota 10,0?
- 9,0!
- Hã?
- 9,0, ahhhhh!
- Hã!
- Tá bom, tá bom, 9,5, PorraAAAAA! FILHA DA PUTA!!!
De repente ela me olha com os olhos esbugalhados e arranca meu saco com os dentes. Seu canto esquerdo da boca parecia maior do que o direito enquanto saboreava meus bagos feito uma bruxa do “Fúria de Titãs”.
- EU NÃO TE AMO MAIS! UAHAHAHAHHAH!
Arrancou meu pau num puxo. Pingou um pouco, mas eu nem me importei. Fiquei ali, pensando: 37 não é febre.
Luzes, gritos, alguma coisa me acertou na cabeça, me acordando com o suor de sangue que escorria da testa pros meus olhos.
- “Fora daqui, senão eu chamo a PM”. Disse o Seu Osias me arrastando pra dentro da recepção.
- Isso filho da puta, entra. Mas entra mesmo, que depois a gente te pega. Uma hora tu vai tê que sair. Entra, Entra!
- Depois é a tua vez velho.
Foram embora depois de muita onda, vizinhos que desceram, 190... puta que o pariu. Seu Osias perguntou se queria que eu ligasse pra alguém.
- Ligue pro 2702, Seu Osias, fazendo favor.
Ele ligou e aquela voz azul atendeu:
- Alô!
- Você sabe que eu te amo, Baby?
- Sei.
- Isso muda tudo?


- Quase tudo. Pode subir.
Agradeci ao Seu Osias, chamei o elevador. Entrei e dei de cara comigo no espelho. Era a última pessoa que eu esperava encontrar.
Sempre odiei aquele espelho. Espremia espinhas nele. Não queria mais minha companhia. Não havia ninguém mais estúpido do que eu. Ainda esperei um segundo. Sabia que o Seu Osias veria pela câmera e acharia estranho. Mas fiz algo que sempre quis fazer num elevador: me espreguicei e deitei.

FIM


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