quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Ó! MINHA “TOTOTA”! (de Marcos Salvatore)

by Günter Blum

Gosto de caminhar pela cidade, e como moro perto do trabalho, acendo meu cigarro e espero as ruas passarem.
Hoje cedo, enquanto chutava algumas pedras, me apanhei pensando no Brasil, não por ser novidade, mas porque a política anda muito na moda. Nos bares de Belém a madrugada se enche de bandeiras, cabeças pensantes, prostituição, castração intelectual, espiritual, e escoriações generalizadas á valer: o suprassumo dos “mucho loco”, ainda mais ás vésperas de um plebiscito neste nosso querido estado natal, (quase penso em “estado mental”).
Dividir o Pará. Penso nisso e me lembro de Suzane.
Colégio Santa Inês, quarta série, fundamental. Primeiro beijo. Uma ruivinha de pele salpicada de canela. Deixava cair lápis, borrachas e réguas, só para me abaixar e olhar suas roupinhas de baixo. E eram branquinhas, com bolinhas, corações, flores vermelhas... sempre vermelhas. O pai vinha busca-la de carro, todos os dias (um puta carrão). Eu, à pé, é claro. Ou então pegava carona no buzão, passava por baixo da roleta. (...) Chutando pedra, como diria a canção do Paulo Diniz.
Quanto ao pelviscito, digo, pubiscito, digo, plebiscito, ainda preciso me informar melhor, num desses botecos “bem transados”, super “bem frequentados” mais próximo. Antes de continuar, lembrei agora de uma vez em que andava na rua e vi um rapaz, não parecia ser daqui, tinha um sotaque engraçado, meio paranaense, meio goiano, não importa, o caso é que ele andava na rua dando "bom dia" pra todo mundo e ninguém respondia, ninguém. Quando passou por mim, me olhou e disse: - " É, meu velho, o paraense não gosta de ninguém".
Desci as escadas para um nº 2 “Spectre-Flash” e ela estava lá, bebendo naquele bebedouro enferrujado que só. Esticava os pés para alcançar melhor o jatinho d’água, saia curtinha. Foi então que eu vi. Olhei para os lados, cocei os olhos, ninguém entra, ninguém sai. Suzane estava sem combinação. A carne de sua bundinha buliçosa apetece a mim até os dias de hoje. Bochechinhas rosadas tiradas do “mito da caverna”. Me pega olhando, estático, paralisado. Vira-se e, com aquela boquinha muito molhada me diz:
- Fiz xixi na calça. Não conta pra Tia Izaíra. Lavei. Tá pendurada ali. Vem ver.
Eu fui, me empurrou os ombros (eu era uma égua!). Banheiro das meninas. Tão bagunçado quanto o dos meninos (senão pior). E ela estava lá: branca, de palhacinhos de nariz vermelho, pendurada no vitrô. (...) Naquele tempo eu nem sonhava que a segregação social comia solta lá fora, que a classe A enrabava a B que enrabava a C e assim por diante.
- Acho que já secou. Tá desde cedo. Vira pra lá.
Eu virei, mas de esgueira pude ver, ouvir e sentir todo o movimento: primeiro a perna esquerda, depois a direita e os pulinhos que ela deu, tão serelepes, para se encaixar naquela calcinha. Gostei demais. Vocês não tem idéia. – A consulta polular que se foda!. Minha namorada é a vida.
- Vira, ei, Menino!
Alternava as mãos nos quadris, dançava os ombros e sorria pra mim, sorria pra mim, sorria. - Esse plebiscito é uma piada. A divisão já aconteceu. Há muito tempo. Tudo que importa é o que a Suzane fez em seguida, nada mais importa.
- Ó! Minha “totota”!
Sem nenhum aviso. Nada. Suzane levanta a saia com a mão esquerda e com a direita abaixou, de lado, a calcinha.
- Agora... tu também... mostra!
Dr. Gori, original do planeta Épsilon, situado na Constelação de Sagitário, distante aproximadamente 40 mil anos-luzdo Sistema Solar, numa batalha apocalíptica com Spectreman, ataca ferozmente meu “estrombo” e “meu figo”. Uma diarréia atômica aproxima-se. Conseguirá nosso herói não se borrar todo diante de sua Spectre Girl?
 “Jesus! Ainda não inventaram os pecados!”.
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