Estou jogando ideias fora, escrevendo pra mim, por isso, não me levem tão à sério.
“Belém é o abismo de um inferno letárgico” - Minha caligrafia é péssima - mal entendo; mas consigo me lembrar da caneta atrás da orelha: Tinha acabado de usá-la antes de atender a última porta. Amigas de foda sempre querem na hora, bem quando você pode estar “marromeno” ou “impinimado” com a saudade de ter mais uma chance.
Pensamentos ao portador para um feliz desaniversário. Dia criado para venda de selos e equilíbrio dos perdões. Durante a chuva nem parece julho. Observo formigas lá embaixo e tento rir das mesmas piadas, gostar das mesmas músicas, decorar os mesmos pontos de vista da pequena tribo – é foda, Padre.
No papel também estava escrito “Não perca tempo tentando me perdoar... nunca mais”. E assim começa mais uma insidiosa sexta-feira 13. Festival de um fugitivo no verão. Esquina de praça centenária.
Bloco do Canalha lá fora, mais tarde, mulheres líquidas, greve das universidades e escolas técnicas federais. Fotos antigas da cidade me fazem muito bem. Histórias antigas. Sinto falta da máquina de escrever, dos cinemas de rua: sobrou apenas um. Sinto a falta daquela garota - a gente mal conversou, depois de tantos meses de saborosa ambiguidade.
Minha Caixa de Entrada não traz muitas novidades e o calor me fez tomar dois banhos a mais. Não saí de casa; a musa de Fellini foi a culpada: Giulietta Masina; Gelsomina – tão sem saber o que dizer ou o que pensar. Tão como...
Não sei o porquê, mas comparo este sobrado com um tipo de masmorra. Mas pensar assim simplifica demais e me torna uma pessoa impulsiva. Não sou assim e vou indo. A fome é um luxo de quem só tem uma janela.
The Hissing Of Summer Lawns – obrigado, Joni. Bati uma pra ti mais cedo, mas antes de esporrar lembrei de outra pessoa. Acho que a fatalidade me pegou de jeito hoje e eu juro que não há ninguém em quem posso descontar.
... e antes de cortar a garganta dele, foi até a mercearia da esquina e comprou uma garrafa de vinho das trevas, esmalte de unha, algodão, agulha e linha. Na prateleira havia macarrão instantâneo, sabor de galinha caipira. Comprou.
Precisava de coragem e... cuidado, para não acordar os vizinhos com o barulho do serrote. A fumaça também seria um problema.
Quando entrou em casa ele ainda estava caído sobre o chão da cozinha, inconsciente e amarrado. Abaixou-se para verificar se já estava morto pelo golpe do martelo em sua nuca. Sentiu seu ânus sangrar um pouco, e a dor e o cheiro de bebida e urina a fizeram se lembrar do estupro da noite anterior e... das passadas.
Masturbou-se uma última vez com o cabo de sua escova de cabelo enquanto olhava para ele... [olhava para ele]... {olhava para ele}...
Por fim.... afiou a faca de churrasco (passada de mãe para filha) na antiga pedra de amolar da cozinha. Suas conjecturas pareciam não ter fim à cerca da cegueira de seu ferido ódio, filho bastardo da mutilação de seu amor. Sabia das consequências. Uma última vez para uma última lágrima. Mesmo assim, virou para ele e disse:
- Já ouviu falar em combustão instantânea? (...) Não vai ser o nosso caso.