sexta-feira, 4 de março de 2011

AQUÁRIO (de Marcos Salvatore)

by Patrick Earl Hammie

Fizeram amor pela manhã, pela primeira vez. Dois criados mudos. Um abajur (ótima palavra). Lençóis. Travesseiros no chão. Um baseado amassado que ela guardava num sapato de salto quebrado, difícil de acender. Ela diz no seu ouvido: “vou apertar mas não vou te chupar agora”. Eles riem. Ela conta os sinais do seu peito, atenta, um a um. Ele acaricia os seus pêlos notando um sinal de nascença entre as suas dobras macias: - “Feliz aniversário”. “Você já me ama?”. “Vai ficar comigo?”. Passam batom nas duas bocas. “Você vai trabalhar hoje?”. “Eu vou”. Precisam trocar as cordas do violão. Precisam se decidir a qualquer momento. Comeram na cama, sem talheres, sem pratos, com as mãos: "me dá "uma bucada". A gatinha e o Capitão Caverna. Ele caminha pela casa, nu, abre a geladeira, mexe nas panelas, observado por ela. Brincaram com a comida. Dançaram tango, manbo. Desarrumaram as gavetas. "A sua voz me acalma". "A sua voz é quase outra pessoa". Cabra cega; até aí morreu o Neves, pira-se-esconde, bandeirinha, cemitério, boca do forno. “Me dá mais um gole”, “aquele que matou o guarda”. “Ainda tenho meio hora”. “Obrigada... pelo presente”. “Eu não sabia que um homem podia ter tantas pernas, tantos dedos, tanto... peso”. “De onde você veio?”. “De outro país”. “É só virar à direita antes da Alça”. Os peixes não têm braços para abraçar, por isso usam os olhos, as escamas... a boca. Certas brutalidades táticas não têm “faz de conta” nem hora certa pra acabar. “Imita!”, “Imita!”. “Imitar o quê?”. ”Imita o Peréio”. – “Reage, porra!!!”. Eram dois:
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