terça-feira, 1 de março de 2011

AO MESMO TEMPO (de Marcos Salvatore)


 


Não via graça em tantas piadas

Perdido pelas noites, pelas margens

Páginas recomendadas que vão lá, onde está a fome



Não tenho tempo, não

De ficar num só lugar. Quero estar longe do núcleo.

Estou sempre onde? Onde?



Terceira pessoa deste poema sem rima, sem lar. Um homem

Um fantasma, um personagem de mangas dobradas

Depois de ter me alimentado das suas intenções

Eventos e fotos. Mistério da cultura porra-louca



Como foi bom sair do bar pra sua cama

Só não transei com a obsessão por pratos e talheres

Eu não entendia, não, a sua solicitação de aniversário

Nem a atenção com os mosquitos e o telhado

 

Ao mesmo tempo em que aprendia a te encontrar, a te significar

Feito um otário armado com pólvora molhada

Sem te localizar a tempo do híbrido fracasso democrático

Podia ter levado mais. Devia ter complicado mais



Mas a vergonha me travou e adicionou tempero ao que estava incompleto




Porque a cidade não se rebelou contra as fitas coloridas?

Sempre atrás de trios e cruzes e tambores

E os palhaços choradeiros batem palma e continência

Querem foder, foder e foder com o público



Aonde tu vais?

Estás indo? Já fostes?

Não é tão fãcil, assim, me confundir

Não podes me culpar sem assumir sua própria culpa



Me teorizando sem prática

Ao vivo, em desconcerto

Onde eu te amo mais agora que já deu?



Chega de recados, de mensagens de abraço

Os ataques e assaltos me alcançaram

E a poesia varrida se espalhou num sopro só



Não espere por mim em coma

Que eu não tenho último beijo eletrônico a dar

Outra pessoa te salvou e protegeu

Completamente, sem se machucar



Ao mesmo tempo, em outro lugar
 

 

 
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