terça-feira, 6 de setembro de 2011

CONJUGAL (de Marcos Salvatore)


Chegamos

Não tô aqui pra te entender
Você vai ver

Só vim por sua voz
ao som de um corpo inteiro

Só vim pelo prazer
Você também, que eu sei

Depois o meu
O seu primeiro

Pra te amar ao mesmo tempo
em que aprendo a fazer isso

Depois a gente mente
Sem embrulho, nove horas
Sem desperdício

Finge ciúmes, diferenças

Vai dar fome, você sabe
Antes disso a gente bebe, come, se consome

Pratos, copos e talheres
Sem compromisso de durar pra sempre

Sem essa, sem aquela
Segundas, quartas e sextas
No banho, na cama, na mesa

Não faz assim que eu não consigo respirar
Assim não sobra espaço
onde eu também possa me amar

Tira isso, põe aquilo
Que sobrou a mim pra conjugar
E a tendência é de mudança
A intenção é variar na violação e na dança

Parecido criança como quando era com a gente
E procurava, descobria, escondia, ria
Lugar qualquer pra se esconder, para chorar

Um comentário:

  1. Querido amigo,

    Eu realmente gostaria MUITO que este poema constasse também do Bigode. Isto é você se reinventando. Isto é você crescendo. Isto é você indo a outros lugares. Isto é você observador! Tu estás atingindo um grau de refinamento cada vez maior. Grande texto!

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