quinta-feira, 27 de outubro de 2011

HÁLITO (de Marcos Salvatore)

by Guido Crepax

Querida Clarice,
 
Crise!
Não leve tão à sério esses pequenos traumas. Também sinto a sua falta, e você sempre foi uma ótima amiga, sempre. Até pensei que era mais, por falta de não sabermos o que fazer com aquilo. Mil coisas assim. Uma puta saudade da sua risada lolita, desse seu corpinho imaginário, do seu bumbum durinho e mulato. Enfim, depois de um período bacante de masturbação existencial e contemplação estática, eu continuo aqui, com a "Legião" na vitrola, minha taça de vinho tinto "sangre de Dio" sobre o criado mudo, Ana C., Álvaro de Campos, Manuel de Barros me cobrando um xeque mate. Nelson Rodrigues em pó, para misturar com a batida de Tatuzinho com morangos, catuaba, cravinho e gengibre, bons para a libidinagem do hálito. O fato é que tardiamente assumo que eu te amava além dos boquetes via créditos promocionais. Você nem percebeu. Só chamo a Angela pra você que é sonsa e que morre na beira! Então, se já estiver boazinha comigo, vê se tira o celular do rabo e me liga logo de uma vez. Senão, tola é você, por não ser do jeito que eu não sou.
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