quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

NO INTERIOR DE UM BEM MAIOR ou ÁREA DA BAÍA (de Marcos Salvatore)

by Namio Harukawa

SOBRE O INTERMINÁVEL SISTEMA DE APELOS EMOCIONAIS

Um homem e uma mulher...
Gritam à procura de seus verdadeiros nomes
Pelas noites  do bairro do Comércio


Bateria de blues, por favor

Mas existem motivos insuspeitos (amargos?)
Para que relacionamentos existam:
O cinema dos anos 70 é um deles (...)


Mas as separações levam meses.


Terminam em filas de cinema, corredores de teatros
Elevadores, em esquinas ladrilhadas
Dentro de carros
Estacionamentos por hora
Ameaças de gravidez
e-mails não enviados, ou lidos
redes sociais


ESTA É A CIDADE DE BELÉM. NÃO MEXA COM NINGUÉM!

Acordei chorando e com o pau vermelho, ardido
Penso: - “Outra briga”.
Havia algo quebrado na cama, porque eu não conseguia levantar
Talvez fosse o amor me aleijando de vez.

Amor?
(...) – “Está falando daquilo que sentimos pouco antes de percebermos que gostamos de alguém?”
Mas o amor é o ganha pão de muita gente.

Bandas de axé, pagode e forró geram dor de cotovelo em massa
Por causa de sexo e dinheiro
Definem um tipo certo de bunda, de seio, de cor de pele
(...) de preço na lata
Atitude jamais, cruz em credo, existe o Círio, pagam bem

SUPONHO QUE O CARNAVAL SEJA MAIS ATRAENTE

Olho para aquele tamanho suculento e cansado de bunda
E penso, altruísta, comigo:
- “Continua gostosa!”
Mas me senti numa piada do Costinha:

“Me cantou três meses para...”

Ela me percebe acordado
Vira-se
Seus vinte e dois anos me flagram tendo medo
Diz, jocosa:

- “Pega minha bolsa. Pega.”
Ali, naquela coisinha, em cima daquela coisinha.
Penso: - “Coisinha é o caralho!”
Minto: - “Não te comi por dinheiro.”

- “Achou minha buceta uma bosta?”
Minto: - “Não tenho raiva de você.
Apenas não tenho mais nada a dizer.”
- “Toma. O dinheiro do aluguel” – ela diz.

Ouço um pouco de choro tenaz enquanto visto a calça amarrotada:
- “Você nem me beijou” – ela se queixa, detalhista, como sempre.

O resto veio num estalo:
Começando pela guerra dos sexos e os direitos civis.

Penso em Augusto dos Anjos,
Penso no movimento feminista mundial,
Penso nas dietas, no voto secreto, rock’n’roll psicodélico,
No esperança socialista e boa praça,

No povo brasileiro, violento por natureza (nas novelas, não).
(...)
Mas não entendo nada disso.

Portanto,
e pela primeira vez,
respondo sem temor,
coçando o braço direito:

- Fiado só amanhã.


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