sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

ALEGRIA DO FALO EM SUA LÍNGUA (de Marcos Salvatore)

by Irving Penn

Aprendi a gostar de dias imperfeitos
Quando é assim, sempre pego meu violão e retorno ao truque
Esperando pelo dom, pelo som, por um abutre
Mínimo múltiplo comum de um irmão

Pela mulher de trastos e acordes de aço enferrujado
Acentos agudos em espaço um da máquina de escrever
Biotônico estelar, milenar, cavalar
Que faz da gota de leite pendida no bico de um seio um compasso

Não me ofereço sem lutar, sem ter sido escasso
Sem ter ido mais fundo e em falso, meu bem
Meu coração de sete notas menores viaja
Sem troco e talento de cobre, sem bolso, sem preço ou vintém

Sustenindo seu tronco em minhas mãos
Das minhas letras penetrando suas ancas de dedilhada, incestuosa mãe
Ainda não falo em sua língua, meu crocodilo não chorou
Mais azougue escorrendo dos meus dedos para sua boca

Sua cura é a comida pra essa fome de camponês urbano
Só o que tenho pra te dar em exagero é o que eu tenho pra te dar
Ninguém é forte bem alimentado de ilusões
Estou onde posso estar e ser, sem favores para dever

Quando posso esclarecer que sangra onde tive outrora asas
Penas arrancadas pra escrever certo entre linhas tortas
O toque da doce fêmea esperando pelo sal
Do amante rude e imprudente

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