quarta-feira, 1 de junho de 2016

BRICABRAQUES


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Encontros e desencontros nas esquinas escorregadias de Belém, segundas intenções, lembranças da Rádio Cidade e da perda de identidade.
Encarnamos o que há de pior no feminino e masculino. Nem sansãos nem dalilas.
Com tanto circo nem da tempo de querer o pão.
Em Belém os out doors dizem sempre "PARABÉNS" e a arte se atomizou em raízes secas.
Arte não é gozo. Arte e absurdo ejaculado, lembranças e historias.
Foi minha vizinha Celina me roubando um beijo: - "Quero morrer na tua boca".
Um dia, no percurso da escola para casa,  o velho tênis se abriu - aconteceria todas as vezes, de uma forma quase infalível -, me fazendo andar vagarosamente e arrastando o pé esquerdo ainda calçado, para que ninguém notasse.
Ainda existiam antigas moradias e eu temperava meus pensamentos com elas, fornecendo mais e mais detalhes: tias velhas viciadas em vinagre e andiroba, filhos surdos acorrentados naqueles porões lamacentos, violoncelos em fotos de velórios expostas em salas, janelas que não se abririam nunca, nunca...
Quase desejei que o tênis se abrisse todos os dias e para sempre. Sendo bem franco, ainda tenho aquela sombra de certeza de que meus calçados foram feitos para isso, mesmo, me abrir para o mundo de algum lugar.
Hoje eu tenho mais pressa.
Ainda doente - preciso parar com os remédios.
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