sábado, 24 de dezembro de 2011

SOBRE SINCERAS, HONESTAS, AUSTERAS E TOLAS PRESUNÇÕES (de Marcos Salvatore)

by Willy Ronis

Por isso só defendo aquilo que não pode se defender sozinho
Esforços gordurosos me oprimem
Dão roupa na corda
E te viram do avesso

Pra te intoxicar a cama
Fico feliz em te propor
Te convido a refletir sobre aquelas duas gavetas de baixo
Amantes que nunca se deixaram conhecer

Nem nunca desejaram se transvalorizar
Nem desafiar o equilíbrio das cadeiras da cozinha
Nem a teórica indisponibilidade da margarina para exercícios latinos
Vertigem em bom momento, em widescreen

Música no formato canção afetada, trilha sonora
Dor de cotovelo mesmo, teatral
Digitada em word noventa e sete,
às três da madrugada

Escorrida pelo relógio do ralo
Ao invés das tuas coxas
Por falar nisso
Quero deixar claro que

As sombras de alguns móveis me lembram
Teus quadris ganhando autonomia
Prefiro achar assim
E lamento, acredite, brincadeira tem hora

Feliz mundo sensível
Feliz único mundo
Feliz marginalidade sincera e intríseca
Você é quem sabe por que sabe

Mas, pague o preço mais caro
Antes de me descartar
Que a saída desse blefe... eu já conheço
Enquanto estiver, estará lá
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