terça-feira, 5 de abril de 2011

LARVA (de Marcos Salvatore)


Soldadinho

E a noite leva,
A esperança daqueles que se deixam levar
Você acorda difuso, com cores de um tom de cinza na cabeça

E o dia leva,
Os cinzeiros cheios ainda com chamas acesas.
Sujos de batom barato.

E a tarde leva,
Tudo aquilo que chamamos pelo nome de encontro aos apelidos e gírias

Corrijo o poema nas cordas vocais
Percebendo os erros gramaticais da embriaguez presumida
A liquidez que me deu correnteza
O sexo também

Num balcão de bar, num furacão
Num desabafo de reafirmação
De alguém que não nasceu
Para lutar por lutar


Essa canção
Pode trazer e trará
para os meus braços apertarem
a dona dos primeiros parágrafos


a dona do meu coração

Só me resta prosseguir evitando pisar nos insentos
Cabeça feita, pé no chão
Meu all star pede descanso e eu me sinto inteiro
Por onde passo, em todos os lugares


e lembranças

“pelo menos ela, pelo menos ela veio”
Eu volto, eu agarro, eu dobro do avesso
Eu quero, e procuro o que procurar
Eu amo

em eterna troca de lugar.
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